quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ASSASSÍNIO


Te conhecer assim,
Com você olhando pra mim...
Numa tarde de sexta-feira.
Depois de nos apresentar,
Uma conversa qualquer no bar...
Numa noite de sexta-feira.
Dentro da madrugada,
Acaba a poesia,
Acabam descobertas e
Acaba o romantismo.
Ele pega uma faca
E a perfura mais de cem vezes.
Sai do quarto do motel
Com as mãos sujas de sangue.
Um tapete vermelho vai se fazendo.
Seu olhar está parado,
Seu pescoço está parado,
Sua respiração está falha.
Não quer perdão,
Não quer esquecer o que fez.
Quer andar...
Parar no meio da rua
E sentar.
Quer sofrer,
Pra não mais precisar viver.
Mas o carro não o atropela,
A moto desvia, o caminhão buzina.
Quer morrer,
Mas ninguém consegue ver.
Precisa matar,
E ninguém vai conseguir evitar.
Até a próxima.

EXTREMOS


Causa uma náusea extremada,
Um sabor de sangue na boca,
Um gosto de morte no ar.
Causa uma dor extremada,
Te olhar com um olhar parado.
Causa um vazio extremado,
Nunca mais te ver ao meu lado.
Causas...
Chega perto,
Queria distância.
Causas...
Volta com um braço amputado,
Com um olho furado,
Uma perna quebrada...
Mas volta.
Diz logo que esqueceu,
Porque eu esquecerei jamais.
Beija minha boca
Até limpar esse sangue.
Tira esses cacos de vidro da minha pele.
Fala qualquer coisa,
Mas fala.
Vê que essa ferida
Não vai cicatrizar jamais.
Espera o ônibus chegar...
Não volta não.
Eu já me resolvi.
Se resolve.
Se realiza.
Se dê a oportunidade de viver.
Agora.

FIM


Volta pra casa,
Espera só o ônibus chegar
E corre.
Volta pra casa,
Não deixa nem o sol
Partir.
Volta pra casa,
Pra gente poder te
Ver novamente.
Volta agora.
Volta antes que esqueçam
Como você era.
Se o portão estiver trancado,
Pula.
Se a porta estiver trancada,
Derruba.
Se a luz estiver apagada,
Acende tudo.
Se estiver muito silêncio,
Liga o rádio e a televisão.
Se mesmo assim for pouco,
Grita.
Volta,
Que já devem estar voltando.
Espera onde quiser,
Onde se sentir melhor.
Volta pra casa,
De noite sempre tem alguém aqui.
Volta pra casa,
Antes que ela mude,
Que não te caiba mais aqui,
Que seja esquecido pra sempre,
Que tudo acabe de vez.
Não volta não.
Tudo já tinha acabado antes de acabar.

ALGUM TEMPO DEPOIS


Ando sempre pela mesma rua,
Vejo as mesmas placas
E leio os mesmos letreiros.
Vago como um indigente,
Um abandonado pelo mundo,
Um depravado qualquer.
Destino não tenho,
Nem a quem recorrer.
Corro...caio...levanto...escorrego...
Caio de novo
E não sei se quero levantar.
Nessa tarde sem sol,
A garoa fina invadiu minha janela.
Se eu pular do décimo andar???
Ninguém vai notar.
Vão olhar um corpo caiando,
Vão se impressionar,
Olhar
E partir como se nada tivesse acontecido.
E se eu não pular?
Nada vai mudar.
Melhor ficar calado
E continuar andando.
Parar olhando o mar,
(num dia de chuva, sem sol)
Olhar para trás,
Olhar pro mar...
E morrer afogado em mágoas.
Morrer,
Morrer
E não precisar nunca mais me ver.